Nostalgia
Mulheres Mais Fortes do que Eu
Sempre fui fraco fisicamente. Não em ambição nem em como conduzo meus relacionamentos—essas áreas estão firmes. Mas a estrutura com que nasci não cresce tanto sem atalhos químicos, e o histórico de saúde da família me fez decidir que não valia a pena arriscar. Aceitei, há muito tempo, que em termos de força bruta eu sou frágil.
Nos anos 80 assisti a um especial na TV sobre mulheres que eram pagas para bater em homens. Eles mesmos as contratavam para realizar o fetiche. Anos depois, quando a internet chegou em casa, fui atrás daquela energia e encontrei os vídeos que moldaram meus gostos. Não eram cenas típicas de BDSM; eram desafios de força e humilhação. A supremacia masculina ia por terra, e eu delirava.
Assinatura do Desejo
Na casa dos vinte eu tinha tempo para cortejar mulheres na Internet e o mercado fetichista parecia uma cidade pequena. Não existiam Tinder nem OnlyFans — só fóruns, boards e chats madrugada adentro. Não era fácil, mas era viável, e estar solteiro significava poder mostrar o rosto sem pensar duas vezes.
Duas décadas depois tudo soa comercial. Dominação escorregou para a mesma categoria de Netflix ou Photoshop: assinatura, serviço, produto. Findom virou paradigma, e os lugares que antes pareciam comunitários — FetLife, Twitter — viraram outdoors. Na primeira geração das redes a amizade era a lógica: você adicionava alguém, a pessoa te adicionava de volta. Hoje tudo roda em torno de seguidores. Eu percorro as personas; elas nunca me veem.
Por que Prefiro Pagar
Na casa dos vinte eu tinha tempo para cortejar mulheres pela Internet, e o mercado fetichista parecia uma cidade pequena. Não existia Tinder, não existia OnlyFans — só fóruns, boards e chats madrugada adentro. Não era fácil, mas era viável, e estar solteiro significava poder mostrar o rosto sem pensar duas vezes.
Duas décadas depois tudo soa comercial. Dominação escorregou para a mesma categoria de Netflix ou Photoshop: assinatura, serviço, produto. Findom virou paradigma e os lugares que antes pareciam comunitários — FetLife, Twitter — se transformaram em outdoors. Naquela época as redes eram guiadas pela amizade: você adicionava alguém e a pessoa te adicionava de volta. Hoje tudo funciona por seguidores. Eu consumo as personas; elas nunca me veem.