Red Pill e a Guerra dos Sexos
Depois de um relacionamento fracassado, tive contato com o conteúdo red pill, hoje muito falado, furando bolha e, diria, até sendo injustamente exagerado e perseguido.
Depois de algum tempo, quando engatei num novo relacionamento, fui gradualmente perdendo o interesse, porque tinha a impressão de que tudo o que era para ser dito já tinha sido dito, e os produtores ficaram em ciclos requentando os temas com clippings de mídia.
Ter consciência real é válido, mas tem um ponto em que continuar a consumir esse tipo de conteúdo acaba deixando a gente paranoico. Comecei a enxergar cálculo onde só havia carinho, e a interpretar qualquer gesto como confirmação daquela tese. O problema não está em ver os relacionamentos como são, e sim em nunca mais conseguir ver outra coisa.
O Conteúdo Interditado#
A minha leitura sobre esse tipo de conteúdo é que ele ficou muito tempo interditado no debate público. Homens falando para homens sobre relacionamento sob o ponto de vista do seu interesse, sem a supervisão feminina, é uma ideia radical demais. Palavras como extrema direita e homem branco foram comumente associadas por pessoas de fora para dar uma conotação negativa.
Não ajudou que, nos últimos anos, algumas figuras furaram a bolha de modo negativo e passaram a simbolizar todo esse aspecto negativo, colocando mais lenha na fogueira sobre este grupo.
O Centro da Mensagem#
O que eu entendi que é o centro do conteúdo red pill é entender os relacionamentos como eles são, não como gostaríamos que fossem. A partir daí vem uma série de conselhos.
Eu vejo, de maneira muito simplificada, como uma luta de classes. A mulher tem seus interesses enquanto o homem tem os dele, e algumas vezes os casos são antagônicos. Não é ódio, é negociação: cada lado defende o que precisa, e o que parece amor às vezes é só o melhor acordo disponível.
Onde os interesses se desencontram.
Posição. A mulher, via de regra, vai preferir alguém numa posição acima da dela. Estar ao lado de um homem acima transmite status e segurança, e ninguém julga essa preferência, pelo contrário, esperam exatamente isso.
O preço é a assimetria. Ele sustenta a distância com sacrifício de tempo e liberdade, e ninguém pergunta se ele quer sustentar isso para sempre.
Bens. No campo dos bens, ela vai preferir comunhão de bens; ele, separação total. A lógica é simples: para ela, o casamento é uma rede de proteção; para ele, uma exposição ao risco.
Filhos. Quem tem filhos vai baixar um pouco a régua se entender que o cara pode ser uma ajuda na criação deles. Um pai presente reduz o peso de criar sozinha, e isso vale mais do que um bom perfil.
Proteção. Muitas mulheres foram abandonadas e criaram filhos sozinhas, então buscar um homem que fique não é exigência de luxo, é prudência. A história delas não permite que tratem relacionamento como aposta: preferem garantia a promessa.
Amor livre. O amor livre, geralmente, faz a mulher transar mais, não o homem, porque ela tem uma vantagem tática: o papel mais passivo no flerte permite sondar sem se expor, e decidir quem entra sem dar na cara.
Conclusão#
E essa consciência, na prática, me salvou. Antes de encontrar minha última parceira, ela me livrou de inúmeras furadas: mulheres desamparadas querendo relacionamento rápido demais, borderlines, perdas de tempo na internet. Saber enxergar o desencontro de interesses antes de me envolver foi o que me manteve inteiro até chegar em quem valia a pena.
Depois de tudo, a mensagem central segue válida: entender os relacionamentos como eles são, não como gostaríamos que fossem. O perigo é trocar uma ilusão por outra. Quando a gente passa a enxergar tudo como transação, a paranoia vira o preço do conhecimento, e aí a consciência deixa de ajudar para começar a pesar. O segredo é saber quando fechar o livro.